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Blue Worlds 

A água é dos recursos mais inestimáveis da Terra, um dom do universo, cuja origem ainda permanece uma incógnita.

© Thomas Pesquet

Através da missão Rosetta (2004-2016), aprendemos que a água que existe na Terra não é a mesma que existe neste tipo específico de cometa (67P/Churyumov-Gerasimenko). Sem resposta para a origem da água da Terra, a procura continua e no Espaço deverá estar uma parte da explicação. A água e as suas propriedades singulares  têm várias funções, que vão desde ser sustento para a vida até ser meio de transporte.

Preservar, gerir e otimizar a utilização de todos os corpos de água deve ser uma das principais prioridades do nosso tempo. A economia destes corpos permanece em grande medida inexplorada e o conhecimento científico sobre os mesmos, e sobre os ecossistemas que acolhem, está ainda longe de ser exaustivo.

A ESA trabalha para fornecer, até ao final de 2025, um sistema de observação aberto que faça uso de uma ou várias constelações de satélites dedicados de baixa órbita com diferentes tipos de sensores e funções para avaliar a situação global, garantir funcionalidades de telecomunicações e navegação, estimulando a investigação científica e o desenvolvimento de novos negócios, através de uma combinação de fontes de dados espaciais e in-situ já existentes.

O conhecimento dos mares e oceanos tem-se revelado cada vez mais importante na definição das ferramentas para a modelização climática e de previsão de futuras alterações. A proteção ambiental, a adaptação e resiliência climática são tópicos estratégicos para o Atlântico e regiões costeiras e marítimas no geral. O uso de tecnologia espacial, em particular todos os dados e aplicações desenvolvidas a partir da Observação da Terra, é um elemento crucial para o desenvolvimento de atividades e investigação neste domínio.

 

Ambiente

Numa perspetiva ambiental,  os oceanos e mares são fundamentais para a monitorização e compreensão das alterações climáticas e o seu equilíbrio está sob permanente e significativa ameaça devido à poluição.

Segurança e proteção

Sob um prisma de segurança e proteção, a navegação autónoma, a pirataria e o contrabando são elementos relevantes, bem como os sistemas de alerta de ameaças, tais como tsunamis ou condições meteorológicas extremas que possam representar perigo para as zonas costeiras e para a navegação recreativa. Para estes, espera-se que os serviços associados à busca e salvamento sejam cada vez mais procurados e com uma maior sofisticação e interoperabilidade entre o Espaço e os meios terrestres/marítimos.

Economia

Do ponto de vista económico,  os Blue Worlds são importantes na medida em que as suas condições têm impacto nos setores alimentar, energético e dos transportes. Como fonte de recursos limitados, e frequentemente ameaçados, sujeitos a interesses de exploração por diferentes entidades, é possível conseguir uma atribuição equitativa com mecanismos adequados de monitorização e inspeção. Também o turismo ligado às atividades marítimas deve crescer, mas em paralelo com o desafio de manter estes serviços ecologicamente sustentáveis.

Os produtos e serviços produzidos pelos ecossistemas marinhos e costeiros estão avaliados em cerca de $29,5 biliões/ano. Mas a saúde dos mares e oceanos é mais do que a sua riqueza.

É por esta razão que, num esforço conjunto, os Estados-membro da ESA procuram fazer avançar com a estratégia dos Blue Worlds e/ou áreas consideradas estratégicas.

Blue Worlds: Áreas e Temas de Ação

  • Atlântico (incluindo o Alto Norte, e.g. Gronelândia)
  • Mar Báltico
  • Mar Negro
  • Mediterrâneo
  • Mar do Norte

 

O Oceano Árctico (área potencialmente Antárctica) pode,  no entanto, ser abordado no quadro do grupo de trabalho para os Blue Worlds sabendo, no entanto, que o grupo de trabalho da ESA para o Árctico ainda existe formalmente e inclui as seguintes dimensões de ação:
  • Liderar e apoiar iniciativas de diplomacia científica com projectos de monitorização dos objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, criando comunidades de utilizadores por regiões/temas;
  • Desenvolvimento pioneiro de tecnologias disruptivas e inovações empresariais, identificando e impulsionando os principais utilizadores;
  • Liderar esforços no avanço da investigação científica multi-disciplinar;
  • Liderar esforços para coordenar e estabelecer uma constelação(ões) colaborativa(s) de satélites baseada(s) em pequenos/micro satélites (baixo custo, potência e dimensão), complementando e maximizando sinergias com infra-estruturas espaciais existentes e em evolução, incluindo Copernicus, Galileo, Earth Explorers e satcom.

© ESA

ÁREAS DE ATUAÇÃO DA TASK FORCE

Poder de processamento de dados e IA

Infraestrutura, poder de processamento e desenvolvimento de algoritmos para processar os grandes conjuntos de dados com que teremos de lidar no futuro. Isto ajudaria na possibilidade de vir a desenvolver produtos de dados em tempo real/quase tempo real para monitorização. Processamento avançado em nuvem e possibilidades de IA para maximizar a utilização de missões de satélite existentes e novas. A grande gestão de dados deve ser um dos pontos principais do relatório, juntamente com as necessidades regionais.

 

Impacto Costeiro

(ou seja, Processos Naturais e alterações climáticas), por exemplo, risco de inundações costeiras. Isto pode também incluir alterações morfológicas (físicas), bem como alterações ecológicas (biológicas) e as suas interacções (biofísicas);

Segurança e Proteção

Desenvolver, testar e implementar sistemas e serviços que garantam segurança, integridade e protecção às infraestruturas e aos utilizadores finais, desde o transporte marítimo, comunicações, pesca, etc. (também através de satélites colocados em órbitas específicas, tais como órbitas elípticas altas (HEO, na sigla inglesa);
Sensores de Baixo Custo e Si;

 

Baías e Estuários incluindo Ecossistemas, Processos Costeiros e Produção Alimentar Sustentável

Para promover o desenvolvimento sustentável dos principais ecossistemas urbanos e costeiros em áreas de baía e estuários e mangais; para melhorar os sistemas de gestão e produtividade da terra e promover novas cadeias de valor alimentar com aquacultura offshore sustentável; para melhorar a gestão da água juntamente com a utilização sustentável da energia nas regiões costeiras; e para reduzir o impacto das cheias e da subida do nível do mar nas principais zonas costeiras;

 

Infraestrutura Marítima e Navegação,

 Para promover a evolução das infraestruturas marítimas, incluindo portos e ancoradouros, navios, etc., para sistemas mais autónomos e resilientes;

 

Sensores de Baixo Custo e Sistemas de Informação

Para desenvolver, testar e implementar sensores de fácil utilização, de baixo custo e sistemas de informação integrados, fazendo uso de dados mini e microssatélite, juntamente com sistemas de Observação da Terra integrados com inteligência artificial (IA) e outros sistemas de processamento de dados relacionados.