AgData: Portugal associa-se para pôr os dados a trabalhar pela agricultura

A Agência Espacial Portuguesa e a Fundação para a Ciência e Tecnologia reúnem dezoito entidades à mesma mesa para lançar, em Portugal, a parceria europeia que quer pôr os dados, em particular os de observação da Terra (OT), ao serviço da agricultura: a AgData.

A agricultura europeia enfrenta uma exigência dupla: aumentar a produção e que esta pese menos no ambiente — especialmente num clima cada vez mais imprevisível. Ao mesmo tempo, nunca existiram tantos dados disponíveis para ajudar os agricultores: imagens de satélite e outros dados de OT, registos ambientais e informações de sensores das próprias explorações, a par de tecnologias como a inteligência artificial. São dados que podem ajudar a saber quando e quanto regar, a antecipar uma praga ou a medir o efeito de uma seca numa dada região.

Mas estes dados estão dispersos ou condicionados à aquisição de licenças, o que os torna menos acessíveis do que o desejável. A Agdata – EU Parternship Agriculture of Data nasceu para mudar isso. A parceria, cofinanciada pelo programa Horizonte Europa, reúne 61 parceiros de 22 países, e visa promover e desenvolver soluções orientadas por dados para a agricultura.

Em Portugal, essa parceria deu agora o primeiro passo. A reunião inaugural do Grupo Espelho Nacional (National Mirror Group — NMG), estrutura que permite recolher e transmitir à parceria europeia os interesses nacionais e, do mesmo modo, trazer para Portugal o que se aprende e decide no consórcio, aconteceu a 15 de setembro. É a este grupo que cabe sensibilizar o setor agrícola português, partilhar conhecimento e aconselhar a parceria sobre o que interessa a Portugal. Na parceria europeia, Portugal está representado pela Agência Espacial Portuguesa e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O grupo junta a administração pública, institutos de investigação e confederações agrícolas, do IPMA e do Instituto Nacional de Investigação Agrícola e Veterinária (INIAV) à Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), entre outros, incluindo a Região Autónoma dos Açores. As várias entidades foram convidadas a integrar o grupo pela Agência Espacial Portuguesa e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), e a reunião inaugural foi acolhida pela ANI/AI2, a atual Agência para a Investigação e Inovação, membro do grupo. “Quisemos construir um grupo de trabalho que refletisse todo o ecossistema, não só quem produz os dados, mas também quem os usa no terreno e quem decide as políticas públicas, para que a agricultura portuguesa tire partido efetivo dos dados que já existem”, explica Duarte Cota, representante da Agência na parceria.

Coube à FCT apresentar os concursos que vão financiar projetos transnacionais, estimando-se que os primeiros arranquem no início de 2027. “Os concursos transnacionais conjuntos da AgData são uma oportunidade para mobilizar a comunidade científica e empresarial nacional em torno de soluções inovadoras baseadas em dados, com impacto direto na sustentabilidade e resiliência da agricultura”, sublinha Dina Carrilho, representante da FCT na parceria.

Mais do que trocar informações, o NMG quer juntar a indústria e a comunidade científica para garantir as condições que faltam à agricultura para tirar partido dos dados já existentes. A ideia é testar soluções em condições reais, no terreno, e transformar o que resulta daí em ferramentas que depois possam ser usadas em toda a Europa.

A AgData tem um mandato de sete anos e um orçamento de 300 milhões de euros para responder a uma questão: como produzir o que comemos com menos recursos, menos custos e de forma mais sustentável, através do potencial dos dados.

Conheça aqui os membros do Grupo Espelho Nacional.

Autor
Agência Espacial Portuguesa
Data
22 de Setembro, 2026