Terra em Foco 2026 junta quase 300 participantes em Coimbra na edição mais concorrida de sempre

A 3.ª edição da conferência nacional de Observação da Terra registou um recorde de participantes e de comunicações e pósteres apresentados. Mário Caetano foi distinguido com o Prémio Carreira. Carlos Álvaro, aluno da NOVA FCSH venceu o prémio de Melhor Comunicação de Estudante.

O Terra em Foco (TEF) voltou a afirmar-se como momento fundamental para a comunidade nacional de Observação da Terra. A conferência bienal da Agência Espacial Portuguesa reuniu, ao longo de dois dias (17 e 18 de março), 280 participantes em Coimbra, naquela que foi a maior edição de sempre. 

Com uma agenda composta pelo maior número de comunicações orais e pósteres submetidos até à data, o Terra em Foco 2026 apresentou, no Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), um programa rico em partilha de conhecimentos, sessões práticas e oportunidades de criação de sinergias.  

Poucas semanas após a passagem de sucessivas tempestades que deixaram um rasto de destruição em muitas zonas da região centro do país, a utilização das tecnologias espaciais para a monitorização de emergências e fenómenos extremos ganhou especial relevância no Terra em Foco.  

A Secretária de Estado da Ciência e Tecnologia, Helena Canhão, reforçou esta ideia numa mensagem em vídeo dirigida aos participantes da conferência, apontando “o papel das tecnologias de Observação da Terra para aumentar a resiliência das regiões e do país”. “O Terra em Foco acontece num momento particularmente exigente para a gestão do território, dos diferentes tipos de infraestruturas e dos recursos naturais e numa altura em que temos todos de estar preparados para dar resposta às alterações climáticas”, apontou Helena Canhão.  

A agenda do evento apontou ainda para outras dimensões, como o desenvolvimento de infraestruturas e constelações espaciais ou a convergência entre a Inteligência Artificial e a computação de alto desempenho. Houve ainda espaço para sessões focadas no uso de dados de satélite para responder aos desafios do território português, com sessões dedicadas à ocupação do solo, à floresta e à silvicultura, à agricultura e à biodiversidade, mas também ao meio marinho e à sustentabilidade.  

Para Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, a variedade das sessões do TEF demonstra, também, uma “grande capacidade da comunidade nacional, cujas soluções são parte da resposta aos desafios e às necessidades concretas do presente”.  

Durante o evento foram apresentadas 58 comunicações orais, divididas em 11 sessões temáticas, e 35 pósteres, com três oradores principais convidados. “Ao longo destas três edições, temos observado um interesse crescente dos investigadores, das empresas e da administração pública em mostrar o seu trabalho no Terra em Foco. Esta resposta expressiva prova a relevância nacional do evento e da sua importância para esta comunidade, mas também o crescimento e robustez do setor”, aponta Carolina Sá, gestora dos programas de Observação da Terra na Agência Espacial Portuguesa.  

À semelhança da edição de 2024, a Agência Espacial Portuguesa voltou a atribuir o Prémio Carreira Terra em Foco. Este ano, a distinção foi entregue a Mário Caetano, investigador principal da Direção Geral do Território (DGT) e professor da NOVA Information Management School, em reconhecimento do contributo dado ao longo dos anos para a adoção das técnicas de Observação da Terra em Portugal, no setor público, na academia e na representação internacional. Na DGT tem promovido a utilização de dados de satélite no Sistema de Monitorização de Ocupação do Solo (SMOS). Tem também contribuído para formar e inspirar as novas gerações de profissionais. Enquanto nacional, defendeu as posições e participação portuguesas no contexto dos programas internacionais de Observação da Terra.

Carlos Álvaro, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, venceu o Prémio de Melhor Comunicação apresentada por um estudante com o trabalho “Sistema Municipal de Monitorização do Carbono: Quantificação e Inventariação através de proxies obtidos por Deteção Remota”. A elevada qualidade e diversidade de temáticas levaram ainda à menção honrosa das apresentações feitas por Nissrine Maad, da Universidade do Porto e CEiiA, e Pedro Marques, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). 

Para lá dos auditórios  

O TEF 2026 contou, pela primeira vez, com uma área reservada a reuniões bilaterais num espaço promovido pela AED Cluster Portugal. Carolina Sá considera que esta parceria foi “uma experiência bem-sucedida”, com potencial para se melhorar e continuar em futuras edições. Por outro lado, a presença de quase uma dezena de expositores “demonstra o interesse que as empresas e instituições têm em marcar presença no Terra em Foco”, não se limitando aos auditórios onde decorrem as sessões plenárias. “Juntar estes momentos de partilha de conhecimentos numa área em que também temos pósteres expostos cria uma grande dinâmica e enriquece o evento”, assim como os workshops, promovidos no final da conferência, “que são sempre muito procurados e muito úteis para os participantes ganharem experiência prática ou aprofundarem mais os seus temas de interesse”, conclui. 

A conferência terminou com uma mesa-redonda centrada na integração de soluções espaciais em setores não espaciais, com a participação da Comunidade Intermunicipal da Região Metropolitana de Coimbra, da GEOSAT, da EDP e da Spotlite, e a moderação da Vieira d’Almeida e AED.  

Na sessão de encerramento do Terra em Foco 2026, Ricardo Conde anunciou a criação de um concurso dirigido a instituições de Ensino Superior interessadas em acolher, nas suas instalações, a edição de 2028 da conferência, com detalhes a anunciar brevemente.  

O Terra em Foco é uma iniciativa da Agência Espacial Portuguesa, que em 2026 foi organizada em colaboração com a FCTUC, o Centro de Competências para a Informação Geoespacial da Comunidade Intermunicipal da Região Metropolitana de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes e a AED Cluster Portugal. Teve ainda o apoio da Development Seed e da Geosat. 

Autor
Agência Espacial Portuguesa
Data
19 de Março, 2026