Cinco projetos partilham €600 mil em nova edição do PROSSE
Cinco projetos de investigação ligados à exploração espacial, da criação de uma torre de queda-livre à produção sustentável de alimentos, vão ser financiados pela Agência Espacial Europeia no âmbito do PROSSE, que, este ano, recebeu 16 candidaturas.
Produzir oxigénio a partir de dióxido de carbono em Marte, cultivar células de peixe em microgravidade ou medir o risco de trombose e o stress a partir da ponta de um dedo. Estes são três dos cinco projetos que o PROSSE (PROdex for Science in Space Exploration), o programa de investigação científica da Agência Espacial Portuguesa, irá apoiar em 2026, num total de 600 mil euros em financiamento.
Os projetos foram escolhidos entre 16 candidaturas, das quais 14 foram consideradas elegíveis e apresentadas por 12 instituições. Dois destes projetos vão receber 150 mil euros cada, e os restantes três projetos 100 mil euros cada. À conversão de CO2 em Marte do projeto ARES, conduzido pelo Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) do Instituto Superior Técnico, ao cultivo celular do Ocean2Orbit, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho, e ao sistema microfluídico do FingertipSpace, do Instituto Ibérico de Nanotecnologia (INL), juntam-se ainda dois outros projetos.
O MARSEP, promovido pelos investigadores do LIP Lisboa, vai caracterizar as partículas solares de alta energia que atingem Marte, cruzando dados das missões JUICE e BepiColombo com reconstruções, por aprendizagem automática, de orbitadores marcianos, para apoiar a ciência da meteorologia espacial e a avaliação dos riscos de radiação em futuras missões tripuladas. Por fim, o TOWER, do Instituto de Telecomunicações e do Instituto de Sistemas e Robótica, do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, quer converter a caixa de escadas de um edifício do Campus da Alameda numa torre de queda-livre com cerca de 2,5 segundos de microgravidade, num projeto concebido para servir experiências de vários domínios científicos.
“O interesse da comunidade científica não tem parado de crescer. Este ano recebemos mais cinco candidaturas do que em 2025 e passámos de dois para cinco projetos apoiados. Este salto reflete o crescimento do programa e a resposta de um ecossistema científico cada vez mais amplo, capaz de levar a exploração espacial do estudo da radiação em Marte à produção sustentável de alimentos”, avalia Joan Alabart, gestor de programas de Exploração Espacial, Empreendedorismo e Inovação da Agência Espacial Portuguesa.
“O projeto MARSEP, liderado pelo LIP, vai trabalhar com dados de missões como a JUICE ou a Bepicolombo, tirando partido do investimento nacional em missões científicas como estas. A fase seguinte faz-se com o acompanhamento técnico dos especialistas da ESA, determinante para levar cada projeto da proposta à concretização”, acrescenta Marta Gonçalves, gestora de programas de Ciência da Agência Espacial Portuguesa.
O PROSSE nasceu da participação portuguesa no PRODEX (sigla francesa de PROgramme de Développement d’EXpériences scientifiques) da Agência Espacial Europeia (ESA) e financia investigação em plataformas que vão de ambientes terrestres e suborbitais à microgravidade e às missões em órbita.
Os resultados do concurso podem ser consultados no site da Agência Espacial Portuguesa.