Cientistas, médicos e indústria juntam-se em Lisboa para discutir a investigação biomédica para além da Terra
A Agência Espacial Portuguesa associa-se às comunidades científica e médica para organizar um simpósio de dois dias sobre como a ciência do espaço pode melhorar a vida na Terra e no próprio espaço.
Há décadas que a medicina faz as mesmas perguntas sobre o corpo humano: como envelhece, como se defende, como resiste à radiação, quando o sangue se torna perigoso. O espaço faz as mesmas perguntas e amplia-as a uma escala completamente nova. A ausência de peso acelera o envelhecimento, a radiação atinge células sem proteção, a imobilidade favorece a formação de coágulos. O que se aprende lá em cima regressa à clínica cá em baixo, e o que se aprende aqui ajuda o corpo a sobreviver lá fora.
É este o tema que o Science and Space Symposium: Biomedical Research Beyond Earth se propõe a abordar. Nos dias 21 e 22 de outubro, no Grande Auditório João Lobo Antunes, em Lisboa, o encontro junta, na mesma sala, os investigadores nacionais das ciências da vida e da clínica e os seus pares da Europa, do Médio Oriente e dos Estados Unidos. Organizado pelo GIMM (Gulbenkian Institute for Molecular Medicine) e pelo GIMM CARE, com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, a Agência Espacial Portuguesa e a Agência Espacial Europeia (ESA), concentra-se em quatro perguntas que pesam tanto num hospital como em órbita terrestre baixa: envelhecimento, microbioma, radiação e sistema cardiovascular.
Portugal chega a este tema como um país que já faz parte, por inteiro, da comunidade científica do espaço. Quando a ESA procurou onde guardar as amostras biológicas que regressam das suas missões, no espaço e em ambientes análogos na Terra, escolheu o GIMM, em Lisboa. É lá que está hoje o Exploration Biobank da ESA, o único do género na Europa, onde sangue, saliva e tecido são conservados a −80 °C. O simpósio surge, aliás, poucos meses depois de a comunidade internacional da ciência e do espaço se ter reunido em Santa Maria, nos Açores, na conferência Atlantic Space Hub: Designing the Future of Space, na qual grande parte da discussão girou em torno de como manter o corpo saudável para além da Terra.
Agora é em Lisboa que se encontram investigadores nacionais e cientistas da ESA e de outras instituições, cardiologistas e radiobiólogos espaciais, reunidos em torno do mesmo problema, com um objetivo prático: traçar linhas de investigação comuns, identificar onde a ciência portuguesa pode contribuir e abrir portas a novas colaborações.
No segundo dia, as portas abrem-se a todos. Numa mesa-redonda aberta ao público, o astronauta da ESA Matthias Maurer junta-se a cientistas e à indústria portuguesa para falar do que é preciso para manter um corpo humano a funcionar para lá do nosso planeta.
Consulte o programa e garanta o seu lugar aqui. As inscrições já estão abertas.