Nasce a RE², a rede de exploradores
espaciais portugueses
A Rede de Exploradores Espaciais Portugueses reúne, para já, 55 investigadores, académicos e profissionais da indústria.
Os registos na RE² estão abertos.
A dispersão geográfica é prova da necessidade: do Reino Unido aos Países Baixos, de São Francisco, nos Estados Unidos da América, a Braga ou a Lisboa, chegaram ao primeiro encontro da Rede de Exploradores Espaciais (RE²) cerca de três dezenas de portugueses que trabalham na exploração espacial. Até agora, estes profissionais não tinham um espaço comum para debater, partilhar conhecimentos, oportunidades e até formar parcerias e negócios — uma lacuna que a rede veio preencher.
O primeiro encontro, que reuniu 30 dos 55 membros que já integram a RE², serviu para muito mais do que apresentações formais: foi o momento dos próprios membros dizerem o que querem que esta rede seja. A conclusão foi clara: é preciso uma plataforma estruturada onde todos os que trabalham em exploração espacial possam partilhar projetos, encontrar parceiros, divulgar oportunidades e trocar conhecimento e experiências.
“Há uma comunidade de portugueses que trabalham na exploração espacial com uma profundidade e diversidade que raramente têm a devida visibilidade e que, por isso, nem sempre se conhecem ou interagem de forma a beneficiar todo o ecossistema. A RE² nasce para mudar isso”, afirma Joan Alabart, gestor de programas de Empreendedorismo e Exploração Espacial da Agência Espacial Portuguesa, que lembra que o registo na RE² permanece aberto.
A RE² surge como uma iniciativa da Agência Espacial Portuguesa, mas o objetivo é que alcance a sua independência. A escolha do nome, feita pelos próprios membros neste primeiro encontro, foi o primeiro sinal disso. “O próximo encontro deverá ocorrer no prazo de seis meses”, acrescenta Joan Alabart.
A diversidade da rede reflete ainda a amplitude deste campo de conhecimento. Os atuais membros repartem-se entre a investigação académica e a indústria, com um quarto deles a atuar em instituições estrangeiras, incluindo a Agência Espacial Europeia (ESA) ou diferentes empresas do setor. Os domínios cobertos vão da robótica espacial à astrobiologia, passando pela medicina espacial, pela engenharia de materiais, os análogos espaciais e pelas operações em órbita. Marte é o tema mais recorrente e, por isso, o destino mais citado. Chegar lá, como todos sabem, é um trabalho de equipa que começa muito antes de partir. E que também pode passar pela RE².