Portugal convidado a integrar a direção do telescópio solar europeu

A Agência Espacial Portuguesa – Portugal Space será o representante nacional no consórcio internacional que irá desenhar e desenvolver o maior telescópio solar alguma vez construído na Europa. O Telescópio Solar Europeu (EST na sigla inglesa) será totalmente desenvolvido pela Associação Europeia de Telescópios Solares (EAST), que irá desenvolver, construir e operar a infraestrutura.

O projeto, que visa desenhar e construir um telescópio solar da classe dos 4 metros, envolve mais de 30 instituições de 18 países, sob a coordenação do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC). A implantação do EST será crucial para compreender a atividade magnética solar, e o impacto dos ventos e tempestades solares na Terra.

Sendo considerada uma infraestrutura estratégica a nível europeu, o EST integra o Fórum Estratégico Europeu sobre as Infraestruturas de Investigação (ESFRI) desde 2016, onde a FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) representa Portugal. No futuro, “a Portugal Space e a FCT trabalharão em estreita colaboração reforçando os laços entre as duas organizações para além dos atuais esforços comuns no âmbito da Agência Espacial Europeia (ESA) e do Observatório Europeu do Sul (ESO)”, afirma Chiara Manfletti, presidente da Portugal Space.

A direção do EST, órgão máximo do consórcio internacional responsável pela instalação do telescópio, vai reunir-se pela primeira vez nas próximas semanas.

Para a presidente da Portugal Space, “estar envolvido num projeto desta envergadura, que é uma pedra angular da astronomia terrestre europeia, é fundamental para o desenvolvimento, não só do conhecimento europeu, mas também da competência portuguesa neste campo científico”.

Como membro da EST, Portugal irá participar na fase preparatória do projeto, que visa testar a validade do conceito científico e a exequibilidade do projeto. Durante esta fase, denominada PRE-EST e que deverá terminar no final de 2020, o consórcio internacional EST e as organizações financiadores do projeto, irão elaborar um plano detalhado sobre a forma como procederão à instalação da infraestrutura, abordando questões técnicas e organizacionais, fazendo ainda uma analise de custos e riscos.

A ciência por detrás do Telescópio Solar Europeu

O Telescópio Solar Europeu ficará instalado nos observatórios das ilhas Canárias, Espanha, e espera-se que esteja operacional em 2027, contando com um período de construção de cerca de seis anos.

Com um espelho primário de 4 metros e tecnologia de ponta, o EST fornecerá aos físicos solares instrumentos de observação de última geração, que permitirão transformar a nossa compreensão dos complexos fenómenos que impulsionam a atividade magnética solar.

Photo: © EST

Através da construção do EST, a Europa pretende preencher um vazio que não é cumprido por nenhuma das outras ferramentas terrestres ou espaciais. O Telescópio será capaz de examinar a união magnética na atmosfera solar desde as camadas mais profundas da fotosfera até aos estratos mais altos da cromosfera. Pode também revelar os atributos térmicos, dinâmicos e magnéticos do plasma do Sol em alta resolução espacial e temporal.

Tal como acontece com o Solar Orbit, missão da ESA lançada para o espaço, em Fevereiro, ou com a Parker Solar Probe promovida pela NASA, o Telescópio Solar Europeu será fundamental para que se alcancem importantes avanços científicos, mas também terá uma contribuição essencial no campo da Meteorologia Espacial

A presidente da Portugal Space enfatiza que “as observações realizadas a partir das Ilhas Canárias serão complementares às descobertas que venham a ser realizadas pelo Solar Orbiter, a missão da ESA que já conta com tecnologia portuguesa”.  Recorde-se que a bordo da nave que partiu em direção ao Sol seguiu software e hardware desenvolvido pelas portuguesas GMV, Active Space, Deimos Engenharia e Critical Software.

Estudar e explorar as diferentes componentes da atividade solar ajudará a humanidade compreender melhor a nossa Estrela, um conhecimento que contribuirá para prever, adaptar e minimizar os impactos das chamadas tempestades solares, que podem produzir perdas incalculáveis na Terra.

O vento solar, fluxo constante de partículas carregadas eletricamente que o Sol projeta para a heliosfera e que atinge velocidades de 800 quilómetros por segundo, é um dos principais objetos de observação da Solar Orbit. Outro objeto de estudo serão os eventos extraordinários, como erupções solares e ejeções de massa coronal (erupções significativas de gás ionizado a alta temperatura da corona do Sol). Estes acontecimentos  podem ter um impacto substancial na vida na Terra, uma vez que podem atingir sistemas elétricos sensíveis, levando a que as comunicações por satélite sejam interrompidas e que os sistemas globais de navegação por satélite (GNSS) e redes de energia à escala nacional ou internacional falhem.

Sobre a Portugal Space

A Agência Espacial Portuguesa é uma organização privada, sem fins lucrativos, criada pelo Governo português, como a mais moderna agência espacial do mundo. A Agência tem como principal objetivo promover e fortalecer o ecossistema e a cadeia de valor do sector espacial em Portugal para benefício da sociedade e da economia nacional e internacional, agindo como uma unidade de negócio e desenvolvimento para universidades, institutos de investigação e empresas.

A promoção da economia espacial e da inovação exige a diversificação e articulação das fontes de financiamento com o objetivo de atrair 2.500 milhões de euros no período de 2020-2030 para atividades relacionadas com o espaço, exigindo um equilíbrio de 50/50 entre fundos públicos e privados, incluindo fontes nacionais e europeias, públicas e privada. Esta pretensão tem em conta o objetivo de multiplicar por 10 o nível global de investimento no espaço em Portugal até ao final da década.

A estratégia nacional para o espaço, “Portugal Espaço 2030”, foca-se nos domínios da Observação da Terra, Segurança Espacial, Transporte Espacial e Telecomunicações, incluindo atividades relacionadas a jusante, trabalhando para que Portugal – uma nação atlântica, com uma tradição marítima rica e global – seja reconhecido, até 2030, como uma autoridade global na ciência e economia das interações Espaço-Terra-Clima-Oceano em benefício da sociedade e da economia.

Autor
Portugal Space
Data
28 de Maio, 2020